sábado, março 24, 2007

Simplesmente... mãe...

Questiono-me imenso sobre que ideia vai ter a minha filha de mim quando crescer.
Lamentarei que tenha a mesma que eu tenho da minha mãe.

Enquanto filha sinto no coração o mal que se pode fazer a um filho. Bem sei que nada foi intencional e que apenas surge no âmbito de uma postura demasiado rígida, pela moral e bons costumes, as quais sempre pus em causa. Sempre porei em causa!!!
No entanto, não há dúvida que essa forma de ser e de estar me está entranhada na pele como se de um cheiro horroroso e impregnado se tratasse, daqueles que não sai nem com limão nem com os melhores anti-odorantes do mercado.
Incomoda-me sentir o quão distantes estamos, fazendo de conta que é o normal.
Dilacera-me sentir que não tenho boas recordações ou pelo menos as suficientes para a olhar com carinho.
Pergunto-me onde estará a nossa ligação de sangue... Que relação é esta invadida de raivas e frustrações antigas e alimentada de zanga...
A minha mãe está cheia de teorias em que acredita e defende com unhas e dentes, mesmo que sinta no seu íntimo que não fazem sentido. Uma delas é nunca elogiar os filhos estando eles por perto. E mesmo longe, os elogios são sempre atravessados por um MAS, como se: "gabei-te, estraguei-te".
Criticar-nos é o que sabe fazer melhor. Se não tem onde pegar, inventa. Tudo vale: as escolhas de adolescência, a compra de um adereço, o que vestimos e calçamos, a educação que damos aos nossos filhos, a compra de casa ou carro, o penteado novo ou a cor de cabelo, a forma como decoramos a casa, os bens supérfulos que na sua opinião não servem para nada, a toalha de mesa, os óculos escuros, as atitudes... a merda e o catano! (já tou a passar-me de raiva só de lembrar algumas situações concretas!!!)
É como se não soubesse viver de outra maneira, é como se a interacção connosco só fosse possível deste modo.
Não. Não lhe dou hipótese de se intrometer na minha vida. Aliás, sou tida como fria e dura, como rebelde e independente, precisamente por colocar limites.

Questiono-me sobre o mal, que eu e os meus irmãos, a fizemos passar... apenas vejo uma situação desagradável protagonizada pela filha mais velha há 25 anos. Mas isto não é desculpa. Afinal é com ela que apesar de tudo vai contando no dia a dia.
Chego muitas vezes à conclusão que foi, é e será frustrada enquanto filha.
No entanto se me deixo avançar no pensamento, alargarei a frustração para outras relações, de mulher, de mãe, de amiga, de profissional, de pessoa.
Tudo porque se guiou sempre pelo lado negativo da vida. Nunca se deixou levar pelas emoções porque "mais vale prevenir do que remedir" em relação ao sofrimento que os outros lhe pudessem causar.
Afinal de contas sofre diariamente com o que foi semeando... digo eu.
Dificilmente a minha mãe assumiria tal desfecho e dúvido que aguentasse viver com ele. Suicídio seria melhor solução, na sua cabeça.
Fico cheia de raiva quando me sinto igual a ela perante a vida e atinjo estadios de loucura e culpa quando percebo que não consigo posicionar-me de outra forma, como se estivesse atada de pés e mãos e fosse uma fatalidade reagir assim.

Não. Não quero ter nenhuma conversa séria, daquelas em que eu falo sobre o que sinto e procuro renovar a relação.
Não, porque não vale a pena. Esgotar-me-ei em vão.
Não, porque já o fiz imensas vezes. Ela acalma, coloca-se no seu lugar, mas ficamos num clima de tensão desnecessário. Fica sempre com noção que eu é que sou pavorosa como filha, poruqe lhe digo umas quantas verdades e porque a faço sofrer com isso.
Não, porque até os mais altos gurus disseram que não vale a pena.

Para a semana tenho-a cá em casa porque a minha filha está doente e eu não posso faltar ao serviço.
Até tremo só de imaginar o que vou (vai) sentir.

12 comentários:

Anónimo disse...

"os amigos da tua Mãe sabem do que é feita e por isso Ela sente-se em casa com eles", espero bem...
ANONIMO

lua disse...

Entendo o receio que tens de replicar esses muros com a tua pequena, mas só o facto de teres essa consciência vai fazer que isso não aconteça! E o feitio não deve ser genético: tenho a certeza que és uma mãe muito amorosa! Mas isto das nossas mães é complicado: Eu gosto da minha mãe, sei que ela gosta de mim, mas na presença dela estou sempre a fingir que estou bem e nunca sou verdadeiramente eu....De tão rígida e conservadora que é, nunca aceitou a minha escolha de me divorciar e nunca me deu aquilo que mais precisei na fase mais difícil da minha vida: um abraço e um carinho....

Anónimo disse...

Que fixe teres uma mãe que te fique com a tua filhota quando ela está doente, para tu ires trabalhar...há coisas muito injustas na vida de uma pessoa...

DIV de divertida disse...

ANONIMO:
Atento, o menino.
Lá terei de me apoiar neles, pois claro.

LUA:
O meu perfeccionismo é tramado...
Divócio? isso foi uma desgraça. O que vale é que ficou vacinada nesse aspecto.
Mimo e carinho? Qual quê? então não foi escolha minha... enfim... tanto haveria para contar.

ANONIMO:
Sim, apesar de ter de fazer 200km lá me vai apoiando em situações limite. Nisso tenho de ser grata.
Por essa razão terei de me controlar caso me apeteça exorcizar algum trauma...

Mamaíta disse...

A vossa relacao pode nao ser a melhor, e isso talvez te custe um pouco. Mas sabes que podes contar com ela. Sabes que ela está lá para ti e para a tua filhota. E isso é muito importante.
E para manteres ao menos esse elo de ligacao, faz um esforco, mesmo que isso indique teres de engolir um ou outro sapo...

Beijinhos :)

Ck in UK disse...

Fiquei triste qdo li isto. Nao devia ser assim. Acho pelo menos que e positivo que te va ajudar qdo precisas, mas era bom q te demonstrasse algum carinho tb. Pq tu tb precisas.

em relacao a tua filha nao me parece q te tenhas q preocupar. a relacao q descreves com a tua mae e bem distinta da q descrever com a tua piquena.

Maríita disse...

Sabes que mais? Deveriamos rifar os nossos pais. Parece-te bem? Ando em baixo, mas ando por aqui.

Beijocas

fá disse...

Quem não está bem consigo próprio e com a vida, dificilmente estará algum dia bem com os outros.
Muitas vezes, ou melhor sempre, a única forma de exteriorizarem essa frustação é infernizando a vida daqueles que lhes são próximos.
Espero que tudo corra bem.

just me disse...

Acho que não tens que te preocupar com a tua filha. A tendência de filhos que passam os que tu passaste, é fazer exactamente o oposto. Dar-lhes todo o amor, atenção e carinho possível! Falo por mim, é o que faço com os meus rebentos!

Pitucha disse...

As relações humanas são sempre tão complicadas, não é? Quantas vezes pensamos fazer obem e afinal estamos a fazer tudo torto! E quanto mais próximas são as pessoas parece que pior é!
Beijos e força que tu és, decerto, diferente.

Anna^ disse...

Espero que esteja a correr tudo bem e quem sabe,a seres surpreendida pela positiva :)

beijinho

Estrunfina disse...

Começas a tornar.te numa fonte de "Frases k me fazem pensar"...
PS - Tenho saudades dum café dos nossos