Nascida numa família católica praticante e educada no meio, a minha vida foi dando muitas voltas.
Com a adolescência pertenci a inúmeros grupos de desenvolvimento pessoal e católico, estando na coordenação de muitos deles, mas com o divórcio (fui trocada por uma amiga de um desses grupos), afastei-me.
Vivi a podridão que muitas vezes se instala e não soube separar as águas.
Afastei-me de tudo.
Ao vir para Lisboa, fui tomando contacto com uma realidade mais esotérica, fechando sempre portas. O meu lado céptico e pragmático faz destas coisas. No entanto fica sempre um bichinho de curiosidade.
Agora num momento de maior fragilidade emocional sinto necessidade de me agarrar a alguma coisa que me dê paz, que seja mais transcendental.
Hoje informei-me onde se realizam eucaristias de jesuítas aconselhadas por uma amiga.
Mas tenho medo. Medo de voltar, medo do que vou redescobrir, medo de me comprometer.
Nem sei se vá. Estou com vontade, mas... não sei se vá.
Mal não me irá fazer, mas encontrar-me com Ele faz-me arrepiar tendo em conta a distância e desprendimento que promovi.
Confesso que levo tudo muito a sério e este modus vivendi faz-me empenhar arduamente em cada projecto.
Ou tudo ou nada.
Como diz o meu amigo Pedrinho, coloco demasiada carga nas coisas... E depois as desilusões são mais que muitas. Crio umas bolhas de ilusão e caio de cavalo. Em tudo e com tudo na vida.
Entretanto, para me defender, bloqueio o que me possa fazer sentir emoções.
Fujo. Resguardo-me. Ergo barreiras enormes. Fico na minha concha, mesmo que aparentemente seja muito aberta e comunicativa.
Não sei que faça...